Este ano foi uma verdadeira loucura para as ações, com os aumentos acentuados do início do ano a desaparecem rapidamente devido às tarifas de Trump no "Dia da Libertação" na primavera. No entanto, quando a poeira assentou e iniciadas as respetivas negociações comerciais, o mercado acionista dos EUA retomou o seu crescimento galopante. De facto, desde as suas mínimas registadas no início de abril, os principais índices S&P 500 e Nasdaq 100 subiram mais de 30% e 40%, respetivamente, para atingirem novas máximas históricas a 16 de setembro - $6.614 e $24.342. Posteriormente, o mercado recebeu algumas notícias positivas, há muito aguardadas, sob a forma de um potencial primeiro de vários cortes planeados para as taxas de juro da Reserva Federal. O FOMC optou por uma redução de apenas um quarto de ponto, refletindo as expetativas de Wall Street. Inicialmente, a resposta das ações foi positiva, mas os seus valores voltaram a cair hoje antes do encerramento do mercado.
Apesar deste pequeno contratempo, a maioria acredita que o mercado acionista norte-americano será extremamente beneficiado pela postura mais suave da entidade reguladora perante a sua política monetária, existindo uma forte probabilidade de assistirmos a cortes adicionais antes do final do ano. Dito isto, o mercado de trabalho e a inflação permanecem como sérios fatores de risco para a economia dos EUA, assim como a instabilidade geopolítica exacerbada pela imprevisibilidade do novo presidente. Ao longo deste artigo, iremos explorar os fatores com maior poder de influência sobre os preços das ações no futuro, para prever o cenário para o mercado acionista durante o último trimestre de 2025.
Dia do Trabalhador
Um dos maiores obstáculos para a Reserva Federal iniciar o seu ciclo de flexibilização foi a necessidade de combater a inflação elevada, equilibrando em simultâneo o receio e os fatores de risco para o mercado de trabalho. A taxa de criação de postos de trabalho e crescimento salarial permaneceu estagnada durante a maior parte do ano, ou até mesmo em ritmo negativo, enquanto a inflação persistiu apesar de uma melhoria significativa em comparação com os anos anteriores. Os investidores contam agora com esta nova política dovish do banco central para ajudar a prevenir a futura debilidade do mercado de trabalho e, possivelmente, promover um cenário "milagroso" com a redução das taxas de juro e a simultânea permanência da estabilidade económica. Os últimos dados do Bureau of Labor Statistics demonstram que as empresas norte-americanas adicionaram apenas 22.000 postos de trabalho entre julho e agosto, enquanto as substanciais revisões federais dos dados de emprego revelaram uma taxa de contratação surpreendentemente baixa no verão.
Entretanto, a taxa de desemprego entre trabalhadores afro-americanos atingiu os 7,5% em agosto, representando o seu nível mais elevado desde outubro de 2021. Os dados revelam que o efeito sobre as minorias é ainda maior. No entanto, nem tudo está perdido, porque o nível de consumo e despesas começou a acelerar, mesmo sem o impacto adicional dos juros reduzidos pela Reserva Federal. As vendas no setor do retalho aumentaram 0,6% em agosto, com uma subida de 0,7% ao excluir os produtos mais voláteis. Estes números excederam as expetativas e revelaram uma tendência positiva que deverá ganhar mais força com taxas de juro menores. Em cada um dos 10 ciclos desde 1982, quando a Reserva Federal iniciou ou retomou a redução das suas taxas de juro, o S&P 500 apresentou uma valorização média de 11% ao longo dos próximos 12 meses. Com pelo menos três cortes previstos para este ano, o futuro parece bastante brilhante para as ações. No entanto, em cenário de deterioração da economia, as ações atualmente com cotações excessivas irão certamente tornar-se vulneráveis.
Um mundo em mudança
Algo que a presidência de Donald Trump ensinou é que os EUA não são o refúgio seguro de outrora. A série de tarifas extremas anunciadas em abril surtiram diferentes efeitos. Embora os acordos comerciais celebrados com o Reino Unido, União Europeia e Japão tenham certamente ajudado a valorizar as empresas norte-americanas a longo prazo, as constantes taxas punitivas sobre produtos dos principais países produtores da Ásia e América do Sul já começaram a afetar negativamente os preços mínimos e os consumidores comuns que acabam por assumir indiretamente os custos tarifários.
Além dos preços mais elevados dos produtos eletrónicos e componentes mecânicos provenientes da China - cujo impacto sobre os setores da tecnologia e produção industrial nos EUA será certamente significativo - outros produtos essenciais como o combustível, alimentos e medicamentos começam a tornar-se inacessíveis para as faixas mais vulneráveis da sociedade. Publicado no início deste mês, um relatório da Yale Budget Lab descobriu que, desde junho, os preços de produtos essenciais estão 1,9% acima dos valores registados anteriormente às tendências de 2025. Contudo, após um aumento de 0,7% em julho, o Índice de Preços no Produtor do Bureau of Labor Statistics caiu 0,1% em agosto, o que indica alguma luz ao fundo do túnel.
No entanto, o "elefante na sala" continua a ser a debilidade da moeda nacional norte-americana. O dólar perdeu mais de 10% do seu valor contra o euro e a libra esterlina durante este ano, tornando-se cada vez mais indesejável para os governos estrangeiros e os principais investidores institucionais. Podemos até argumentar que o forte desempenho das ações norte-americanas e do ouro foi parcialmente resultante da desvalorização da moeda, utilizada para denominar estes ativos. O efeito dos três cortes antecipados sobre as taxas de juro permanece incerto, mas logicamente, podemos assumir que irá apenas acelerar o "desdém" pelo USD, embora as ações permaneçam em excelente posição para beneficiar da nova política monetária a curto prazo.
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