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Aviso de Risco: Os CFDs são instrumentos complexos e acarretam um elevado risco de perda rápida de dinheiro devido à alavancagem. 83% das contas dos investidores não profissionais perdem dinheiro quando negoceiam CFDs com este prestador. Deve ter em conta se compreende como funcionam os CFDs e se pode assumir o elevado risco de perder o seu dinheiro. Por favor, clique aqui para ler o nosso Aviso de Risco na íntegra.

79% das contas dos investidores a retalho perdem dinheiro quando negoceiam CFDs com este prestador.

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US Government Shutdown Fails to Shut Up Stock Market Bulls

Paralisação do Governo dos EUA Incapaz de Silenciar os Touros no Mercado de Ações

Após um ligeiro contratempo em abril, na sequência da vaga de tarifas sem precedentes do Presidente Trump, o mercado de ações norte-americano tem apresentado uma valorização aparentemente imparável, alcançando sucessivamente novos patamares históricos. Este movimento parece ignorar por completo a incerteza económica e geopolítica que continuou a intensificar-se no segundo trimestre de 2025. Com efeito, apenas nos últimos seis meses, os principais índices norte-americanos, o S&P 500 e o Nasdaq 100, revelaram valorizações substanciais de 35% e 45%, respetivamente, com uma taxa de rendibilidade bastante superior ao que poderia ser previsto para um ano inteiro, mesmo num ano favorável! O Senado não conseguiu chegar a acordo sobre uma nova lei de financiamento e o governo foi forçado a encerrar na semana passada, aumentando o receio de que as ações fossem dos primeiros ativos a sofrer as consequências. No entanto, longe de entrarem em colapso, as ações norte-americanas registaram subidas modestas, mas consistentes, durante toda a semana passada.

As razões para este fenómeno são multifacetadas, mas a alteração da política da Reserva Federal e os níveis recorde de detenção de ações estão entre os fatores mais determinantes. Fundindo a estes elementos uma inflação persistente e a desvalorização do dólar, os motivos para os investidores optarem por ativos em vez de dinheiro, apesar dos preços elevados, tornam-se bastante claros. Neste artigo, vamos explorar estes temas centrais em maior detalhe, tentando traçar o rumo do mercado das ações para 2026 e além.

Encerra e continua a comprar

Embora as paralisações do governo (shutdowns) não sejam inéditas nos últimos anos, e os seus efeitos estejam longe de ser catastróficos, o mais recente encerramento do sistema político é um sintoma da profunda divisão na sociedade norte-americana. É verdade que o mercado das ações conseguiu evitar consequências negativas a curto prazo, mas até o Secretário do Tesouro, Scott Bessent, admite que é inevitável que o PIB "sofra um impacto" com o prolongamento da paralisação. Um aspeto positivo desta instabilidade política, pelo menos para as ações, é que já não existem incertezas sobre um novo corte das taxas de juro da Reserva Federal no dia 29 de outubro. A 8 de outubro, a ferramenta FedWatch da CME mostrava que a probabilidade de um corte de 25-50 pontos base na próxima reunião da entidade reguladora era de 95%. Dito isto, outros dados do CME Group sugerem que os investidores de Wall Street antecipam, maioritariamente, pelo menos mais três cortes nas taxas até meados do próximo verão.

Isto significa que os vários cortes previstos já podem estar ponderados nos preços, o que explicaria em parte os preços atualmente inflacionados das ações, que excedem as máximas de valorização do período da "bolha dotcom". Contudo, esta situação também reduz os potenciais aumentos para o futuro e acrescenta algum risco, caso os cortes não se materializem com a rapidez necessária. Na verdade, para testemunharmos um crescimento adicional, os analistas da FactSet estimam que as empresas do S&P 500 terão de registar um crescimento coletivo de 8% nos seus índices de lucro por ação (EPS) em termos homólogos. Embora estas metas não sejam impossíveis, um multiplicador de preço sobre vendas superior a 3,25 (uma máxima histórica) e o indicador preferido de Warren Buffett — o valor contabilístico face ao crescimento do PIB — a apresentar uma percentagem elevada de 217%, estão a despoletar cautela entre os investidores, que antecipam a possibilidade de um evento catastrófico (black swan). No entanto, a inflação mantém-se persistente, e os últimos dados do Índice de Preços no Consumidor (IPC) de setembro mostram uma pressão inflacionista de até 3%, significativamente acima da taxa alvo de 2%. Unindo esta tendência com taxas de juro menores, obtemos a receita para um verdadeiro crescimento nos preços dos ativos financeiros.

Respirar fundo

A realidade económica atual distancia-se significativamente do panorama de décadas anteriores. A perigosa conjugação de inflação elevada, taxas de juro relativamente baixas, um dólar enfraquecido e um mercado de trabalho precário levou à formação de uma economia em forma de K, onde enriquecem aqueles capazes de adquirir ativos financeiros, enquanto empobrecem os restantes. Com as expetativas da inflação para o próximo ano a subir para 3,4% em setembro, sobre o consumidor norte-americano, e com as taxas de juro a descerem potencialmente para os 3,5% até ao final deste ano, as poupanças em dinheiro permanecerão, na melhor das hipóteses, neutras. E, com a fasquia para o investimento imobiliário mais alta do que nunca, as circunstâncias traduziram-se nos níveis de detenção de ações mais elevados de sempre. De acordo com dados da Reserva Federal, as participações acionistas diretas e indiretas, como fundos de investimento ou planos de reforma, representam agora uma máxima histórica de 45% dos ativos financeiros das famílias, e este valor tem tendência a aumentar, à medida que a debilidade do dólar torna a moeda ainda menos atraente na sequência do ciclo de cortes da Reserva Federal.

Embora isso tenha proporcionado ao mercado uma injeção valiosa de liquidez, deixa a bolsa vulnerável a uma quebra acentuada no caso de uma correção mais profunda do que o habitual, o que poderá provocar vendas em massa por parte dos investidores individuais (não profissionais), num cenário semelhante a uma "corrida ao banco". Para além de amplificar o impacto do que seria apenas um recuo natural, poderia destruir a confiança nas ações a longo prazo, conduzindo a um prolongado mercado em baixa. Contudo, a falta de alternativas de investimento no território dos ativos de refúgio, para além do ouro, para investidores comuns e institucionais, significa que o dinheiro continuará a fluir de forma saudável para as ações, especialmente num ambiente favorável com taxas de juro reduzidas.

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