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Aviso de Risco: Os CFDs são instrumentos complexos e acarretam um elevado risco de perda rápida de dinheiro devido à alavancagem. 83% das contas dos investidores não profissionais perdem dinheiro quando negoceiam CFDs com este prestador. Deve ter em conta se compreende como funcionam os CFDs e se pode assumir o elevado risco de perder o seu dinheiro. Por favor, clique aqui para ler o nosso Aviso de Risco na íntegra.

79% das contas dos investidores a retalho perdem dinheiro quando negoceiam CFDs com este prestador.

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Bitcoin Flows Back in the Black

Bitcoin em fase de recuperação

Com as atenções bem centradas nos mercados do petróleo e do ouro durante as últimas semanas, foi fácil perder de vista os mais recentes desenvolvimentos no mercado das criptomoedas. Em fevereiro, o Bitcoin registou o seu quinto mês consecutivo de perdas, estimulando o receio e rumores sobre um novo “inverno cripto”. Desde a sua máxima histórica de $126.210,50 em outubro de 2025, o BTC acabou por perder mais de 50% do seu valor após duas quedas acentuadas, atingindo momentaneamente uma mínima de $60.074,20 em 5 de fevereiro de 2026. Desde então, a recuperação foi animadora, embora ainda não seja totalmente convincente. O Bitcoin subiu 2,2% em março, registando a sua primeira valorização mensal desde setembro. Para os investidores individuais e institucionais focados na criptomoeda original, pode ser um sinal de que o pior já passou.

Contudo, as implicações deste desenvolvimento do BTC sobre o atual mercado cripto podem ser mais interessantes do que o seu próprio declínio. Não é coincidência que o “crash” tenha começado em simultâneo com a intensificação das tensões no Médio Oriente e na América do Sul. Cada queda ocorreu em momentos críticos, incluindo o rapto de Maduro e a guerra com o Irão. Aparentemente, o Bitcoin comporta-se cada vez mais como as típicas ações de crescimento, e não como uma classe de ativos com as suas próprias dinâmicas específicas. No entanto, como sempre, a verdade é um pouco mais complexa. Ao longo deste artigo, vamos tentar explicar como os fatores macroeconómicos e a liquidez enfrentaram as forças mais tradicionais do mercado das criptomoedas, que despoletaram o cenário atual, e tentar prever a trajetória deste mercado para o futuro.

Nem uma, nem outra

Após mais de uma década como classe de ativos autónoma, com os seus próprios ciclos de ascensão e queda, tipicamente especulativos e, ocasionalmente, alimentados por memes, o universo cripto evoluiu gradualmente para um “verdadeiro” veículo de investimento. Além da enorme injeção de liquidez, proveniente do investimento institucional através de ETFs e produtos similares, o Bitcoin também se tornou extremamente sensível a forças geopolíticas, à liquidez e a fatores macroeconómicos, à semelhança de outros ativos de risco como as ações. Apesar de, inicialmente, ter assumido o papel de alternativa digital ao ouro, o Bitcoin tornou-se bastante mais semelhante às ações tecnológicas de elevado desempenho. Como referido anteriormente, as grandes quedas de preço coincidiram exatamente com a escalada dos conflitos geopolíticos, e esta recuperação mais recente, para a faixa entre $68.000 e $72.000, aconteceu após a publicação de dados nos EUA, que revelaram uma descida da inflação para 2,4% em janeiro, a pouca distância do objetivo estabelecido pela Reserva Federal. Isto foi, seguramente, influenciado pelas expetativas do mercado sobre cortes nas taxas de juro por parte do novo homem de Trump na Reserva Federal, Kevin Warsh. Essas mesmas expetativas devem intensificar-se, agora que a menor pressão sobre os preços permite uma maior flexibilidade monetária.

A ferramenta FedWatch da CME atribui atualmente uma probabilidade superior a 90% para um cenário sem alterações até ao verão, mas muito pode mudar num mês, e os mercados vão certamente acompanhar atentamente os primeiros comentários de Warsh após a reunião de maio. O dólar mais fraco também ajuda a inflacionar o valor nominal do Bitcoin, considerando que este é expresso em USD. No atual contexto de "desdolarização" e taxas de juro potencialmente mais baixas a médio prazo, é difícil antecipar qualquer inversão deste fator positivo para o preço do BTC. No entanto, a evolução do preço do Bitcoin passará agora, em grande medida, a depender de fatores externos, com a política monetária e externa dos EUA no topo da lista. O BTC continua atrás das ações em termos de ascensão, mas os seus movimentos gerais estão claramente mais alinhados com o mercado acionista.

Ponto de viragem

Como referimos acima, a procura institucional por Bitcoin tem sido uma das principais forças por detrás da sua evolução, de ativo especulativo e movido por memes, para uma posição de instrumento respeitado. Portanto, a interligação desta recente estabilização de preço com o regresso das entradas líquidas em ETFs não é surpreendente. Após meses de saídas líquidas, as entradas regressaram em meados de março, com cerca de $700 milhões reinvestidos numa semana. Este ritmo manteve-se desde então, e as entradas líquidas totais das últimas três semanas rondam os $2,1 mil milhões. Ainda mais encorajador é o facto de o mercado institucional continuar a expandir-se, com a Morgan Stanley prestes a lançar em breve o seu próprio ETF à vista (spot) e a Franklin Templeton a direcionar a sua opção Franklin Crypto diretamente para fundos de pensões que, até ao momento, não tinham qualquer exposição ao Bitcoin. Também é importante salientar os efeitos colaterais do halving, em vigor desde abril de 2024, sobre as dinâmicas da oferta. A oferta desacelerou significativamente e os custos de mineração estão atualmente em torno de $80.000 por BTC (sem contabilizar os potenciais aumentos acentuados dos preços da energia, provocados pela guerra). 

Este problema era inexistente em 2025, quando os preços rondavam em média os $100.000 ou mais, mas continua a ganhar relevância no panorama atual. Alguns mineradores foram obrigados a vender por razões operacionais, mas este custo de produção relativamente elevado significa que as forças normais do mercado acabarão por impulsionar os custos, pelo menos para um valor acima deste patamar, e, tendo em conta a estabilização observada, o ponto de viragem pode estar próximo. O sentimento do mercado está claramente a inverter-se após um período de medo extremo. Com o eventual arrefecimento das tensões geopolíticas, as condições propícias para o crescimento irão tornar-se cada vez mais aparentes. A maioria dos participantes excessivamente alavancados ou demasiado sensíveis já foi “sacudida” do mercado, e o que resta é uma combinação de baleias, HODLers individuais e experientes, e investidores profissionais a tentar comprar na queda. Muito dependerá do que acontecer nas próximas semanas, mas os dados técnicos sugerem que a queda já atingiu o seu fundo.

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