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Aviso de Risco: Os CFDs são instrumentos complexos e acarretam um elevado risco de perda rápida de dinheiro devido à alavancagem. 83% das contas dos investidores não profissionais perdem dinheiro quando negoceiam CFDs com este prestador. Deve ter em conta se compreende como funcionam os CFDs e se pode assumir o elevado risco de perder o seu dinheiro. Por favor, clique aqui para ler o nosso Aviso de Risco na íntegra.

79% das contas dos investidores a retalho perdem dinheiro quando negoceiam CFDs com este prestador.

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Gold Gives up Ground but Growth Could Return in H2

Ouro perde terreno, mas o crescimento pode regressar no 2.º semestre

A cada semana que passa, o mundo torna-se mais incerto. Após o cenário global de guerra comercial nesta altura do ano passado, transitámos para uma guerra aberta no Médio Oriente, que pode ameaçar a economia global na sua totalidade. Sem surpresas, o ativo de cobertura favorito de todos os investidores superou vários instrumentos financeiros mais especulativos neste período. A partir da mínima de 3.000 dólares no final de março de 2025, o metal amarelo quase duplicou, atingindo uma nova máxima histórica de 5.630 dólares no final de janeiro deste ano. Este crescimento rápido era praticamente inédito no mercado de metais preciosos, mas o que aconteceu posteriormente foi ainda mais surpreendente, considerando a evolução geopolítica. Com a intensificação de ataques a bases importantes no Golfo Pérsico, com autoria das forças iranianas e israelitas, em vez de apresentar um aumento, como seria de esperar, o ouro afundou mais de 20% antes de recuperar parte da queda, atualmente estável nos $4.428 (26 de março).

Para além do conhecido fenómeno de “comprar o rumor e vender a notícia”, existem vários fatores adicionais e relevantes, além do prémio de risco, que continuarão a influenciar e a moldar os preços dos metais preciosos em 2026. Entre a dinâmica das forças inflacionistas e as oscilações do dólar, existe ainda um braço de ferro entre a política que reina as taxas de juro e as compras de ouro pelos bancos centrais, que terá muito a dizer sobre a evolução do preço do ouro. Neste artigo, vamos analisar todos os pontos de influência, e tentar traçar a trajetória do ouro na segunda metade deste ano e no futuro.

Inflação do dólar

Como referido anteriormente, o agravamento da crise geopolítica no Médio Oriente provocou, de forma inesperada, quedas no valor do ouro. Isto é sinal de que o comportamento tradicional de refúgio e cobertura é ultrapassado por forças macroeconómicas mais amplas. Tipicamente, a situação atual desencadearia um sentimento de “risk-off” (aversão ao risco) bastante mais pronunciado. Contudo, as expetativas de redução da inflação, apesar do aumento de curto prazo dos custos de produção devido ao encerramento do Estreito de Ormuz e aos consequentes preços elevados do petróleo, estão a reduzir a necessidade de cobertura através do ouro. Recuando na nossa análise, conseguimos ver preços mais baixos nas matérias primas, um abrandamento do Índice de Preços no Consumidor e uma política monetária restritiva persistente - fatores que aumentam o interesse por produtos da dívida e ações, sobretudo à medida que o efeito colateral da valorização do dólar começa a amplificar o impacto dos restantes fatores já referidos. Existe uma relação inversa bem estabelecida entre o ouro e o USD. Um dólar mais forte encarece o ouro a nível internacional, mas também pode fazer com que o metal amarelo pareça mais barato quando cotado em USD. O “greenback” valorizou mais de 2% face ao euro e à libra esterlina apenas no último mês, o que, além de reduzir o custo do ouro em dólares, também aumenta a eficácia de obrigações e depósitos como alternativa ao ouro, especialmente num mercado em queda. No geral, o cenário de risco geopolítico continua a sustentar os metais preciosos, mas a descida consistente da inflação até este mais recente foco de tensão no conflito entre o Irão e Israel, e a consequente valorização do dólar, representam tendências de longo prazo que provavelmente contribuirão, com o tempo, para a redução dos preços do ouro. Os preços no consumidor subiram 2,4% nos últimos 12 meses até fevereiro, aproximando-se do objetivo de 2% estabelecido pela Reserva Federal. Considerando a subida vinculada ao petróleo em março, o retorno à sua trajetória descendente seria expectável após a resolução do conflito.

Poder centralizado

A relação entre as expetativas sobre as taxas de juro e os preços do ouro é bem conhecida. Enquanto a inflação caminha em direção à meta, o regresso a uma política monetária dovish torna-se cada vez mais provável. Kevin Warsh, a escolha de Trump para presidente da Reserva Federal, está ciente das expetativas, com pressão para materializar o estímulo económico através de cortes sobre as taxas de juro, solicitados pelo presidente a Jerome Powell há meses, senão há anos. As obrigações do Tesouro dos EUA a 10 anos apresenta atualmente uma rendibilidade de 4,4%, e os títulos do governo do Reino Unido (gilts) a 10 anos oferecem mais de 5%, o nível mais alto desde 2008. Até as obrigações do BCE oferecem um rendimento de 3,05%, valor que era de 2,65% há um mês. Naturalmente, isto aumenta o custo de oportunidade de deter ouro, e como tal, reduz a procura por este metal que não gera rendimento. Ainda assim, tanto nos EUA como na Europa, o consenso antecipa um corte nas taxas de juro na primeira oportunidade, para conferir o tão necessário alívio aos detentores de créditos habitação e estimular a atividade empresarial e, por extensão, o mercado acionista. Caso isso aconteça, o ouro voltará a tornar-se atrativo à medida que a rentabilidade das moedas recua. Entretanto, mantém-se uma tendência importante: as compras de ouro em massa pelos bancos centrais, sobretudo nos mercados emergentes. Dados do World Gold Council revelam que os bancos centrais compraram mais de 800 toneladas por ano durante quatro anos consecutivos, muito acima da média de longo prazo de 400 a 500 toneladas. A China e a Polónia, ambas nações industriais orientadas para a exportação, apresentaram os maiores volumes de aquisição, representando quase um quarto do total das compras efetuadas em 2025. Isto sugere que os dois países antecipam a persistência da volatilidade das moedas fiduciárias, e que ambos encaram o ouro como uma reserva de valor estável a longo prazo. No entanto, a futura direção do preço do ouro em 2026 dependerá, sem dúvida, do momento em que decidirem aplicar os cortes sobre as taxas de juro, esperando que isso aconteça antes da dissipação dos riscos associados ao cenário geopolítico ou inflação.

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