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Aviso de Risco: Os CFDs são instrumentos complexos e acarretam um elevado risco de perda rápida de dinheiro devido à alavancagem. 83% das contas dos investidores não profissionais perdem dinheiro quando negoceiam CFDs com este prestador. Deve ter em conta se compreende como funcionam os CFDs e se pode assumir o elevado risco de perder o seu dinheiro. Por favor, clique aqui para ler o nosso Aviso de Risco na íntegra.

79% das contas dos investidores a retalho perdem dinheiro quando negoceiam CFDs com este prestador.

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Rising Tide of Tensions Could Lift Gold's Ship in 2026

Maré de Tensão Pode Agitar o Barco do Ouro em 2026

À semelhança do ano anterior, 2026 começou com um verdadeiro estrondo. Em contraste com a tradicional calmaria após a época festiva, este janeiro foi recebido com uma escalada significativa nas tensões geopolíticas e aumento de volatilidade em múltiplas classes de ativos. Sem surpresas, estes desenvolvimentos colocaram os metais preciosos sob as luzes da ribalta, com subidas no ouro e na prata até atingirem novas máximas históricas, após um período de trading lateral no quarto trimestre de 2025. Nos seus respetivos níveis atuais de $4618 e $91,16, o ouro e a prata apresentaram valorizações de 80% e 150% ao longo da última década, e não parece que o ritmo de ganhos vá abrandar tão cedo.

A incerteza no Médio Oriente e na Europa foi exacerbada pela escalada de tensões sem precedentes neste século, no continente americano, após a captura extrajudicial conduzida por Trump contra o presidente venezuelano, Nicolás Maduro, e ameaças similares de ação militar contra os governantes de Cuba e Colômbia em caso de oposição. A situação macroeconómica nos EUA também teve influência sobre os preços dos metais preciosos, com a inflação persistente e instabilidade no mercado de trabalho a impulsionarem a procura por ativos de refúgio. Ao longo deste artigo, vamos analisar todos os fatores associados e tentar projetar o desempenho do ouro e da prata em 2026.

Trump, o belicista

A relação entre o aumento da incerteza geopolítica e os preços das commodities está bem estabelecida. Na verdade, o crescimento extraordinariamente forte do ouro e da prata começou no terceiro trimestre de 2022 e continuou a intensificar-se a par com cada escalada de tensões na Europa e no Médio Oriente. E apesar do compromisso de paz proclamado por Trump, tudo indica que 2026 será provavelmente caracterizado por uma instabilidade geopolítica e conflitos ainda maiores. Não satisfeito apenas com o sequestro do presidente venezuelano Nicolás Maduro e a apropriação unilateral de 50 milhões de barris de petróleo, Trump renovou ameaças anteriores de invadir e subjugar a Gronelândia e está a considerar seriamente uma intervenção no Irão face aos distúrbios civis em curso. Esta viragem beligerante na política externa, apelidada de "Doutrina Donroe", assustou os mercados e aumentou a procura por ativos de refúgio e reserva de valor, como o ouro. Contudo, a ira de Trump não se limitou apenas a estes países diretamente. O presidente norte-americano ameaçou até aplicar uma tarifa de 25% a países que negociem com o Irão. Naturalmente, estas ações podem reacender a guerra comercial com a China, que pode utilizar a agressividade norte-americana como pretexto para absorver Taiwan.

Para além destes novos conflitos, não podemos esquecer que os problemas na Europa e em Israel permanecem sem soluções no horizonte. Tim Waterer, analista de mercado da KCM, acredita que: "Na eventual persistência dos riscos geopolíticos e materialização dos esperados cortes nas taxas de juro dos EUA, o ouro pode confirmar uma rutura mais sustentada além do nível de $4600 nas próximas semanas". De facto, o Commerzbank atualizou em alta a sua previsão para o preço do ouro no final de 2026, fixando-a nos $4900, mas os entusiastas mais otimistas preveem valores superiores a $5000. Até os investidores em criptomoedas começam a prestar atenção, e o mercado do ouro tokenizado ascendeu para mais de quatro mil milhões de dólares, superando os aproximadamente mil milhões de dólares registados em janeiro de 2025. Os principais tokens incluem o XAUT da Tether, o Pax Gold e o Matrixdock Gold (XAUM-USD), e é razoável sugerir que estes produtos irão impulsionar a procura orgânica de forma semelhante ao que os ETFs de Bitcoin fizeram para as criptomoedas quando foram lançados em janeiro de 2024.

Um panorama macroeconómico diversificado

Indubitavelmente, um dos principais catalisadores da ascensão do ouro e da prata ao longo dos últimos dois anos foi a permanência da inflação acima da meta estabelecida, não apenas nos EUA, mas em praticamente todos os cantos do mundo. Contudo, após um prolongado período de persistente pressão sobre os preços, os dados do Índice de Preços no Consumidor (IPC) de dezembro revelaram valores inferiores às expetativas. O Índice de Preços ao Consumidor (IPC) subjacente dos EUA aumentou 0,2% em termos mensais e 2,6% em termos homólogos no último mês de 2025, ficando aquém das expectativas dos analistas de 0,3% e 2,7%, respetivamente. Entretanto, o Índice de Preços no Produtor (IPP) aumentou apenas 0,2% no mês, segundo os dados ajustados sazonalmente do Bureau of Labor Statistics. Os valores ficaram aquém do consenso para o Dow Jones, que indicava uma subida de 0,3%, embora permaneça um décimo de ponto percentual superior ao registado em outubro. Naturalmente, Trump aproveitou a boa notícia para reiterar as suas exigências e pressionar a Reserva Federal a cortar "significativamente" as taxas de juro. Certamente, esta medida iria impulsionar os metais preciosos. No entanto, o panorama macroeconómico está longe de ser positivo, com o percetível enfraquecimento do mercado de trabalho americano em dezembro — um mês tipicamente assinalado pelo otimismo sazonal. O Índice de Tendências do Emprego (Employment Trends Index, ou ETI) do The Conference Board caiu para 104,27 em dezembro, face a 104,64 em novembro, valor este que foi revisto em baixa. Em simultâneo, a proporção de consumidores que afirma sentir dificuldade em encontrar emprego aumentou para 20,8%, representando um nível que não era registado desde o início de 2021.

Por esse motivo, espera-se que a Reserva Federal mantenha as taxas de juro inalteradas na reunião de 27 e 28 de janeiro, embora os investidores antecipem atualmente duas reduções das taxas ainda este ano. O cenário pode, obviamente, ganhar outra forma após as frequentes táticas de intimidação de Trump, que atingiram novos patamares durante esta semana, quando a Casa Branca notificou o regulador com mandados do Departamento de Justiça (DOJ) por alegada supervalorização de despesas. Seja como for, a postura claramente mais branda ("dovish") da Reserva Federal constitui um forte fator de apoio para o ouro e para a prata, e a mudança global para um cenário com taxas de juro mais baixas deverá continuar a alimentar o crescimento em 2026. Também é importante salientar que os bancos centrais, incluindo a Reserva Federal, continuam a aumentar ativamente as suas próprias reservas de ouro, sustentando o elevado volume de procura que continuará a suportar os preços mais altos.

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