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Aviso de Risco: Os CFDs são instrumentos complexos e acarretam um elevado risco de perda rápida de dinheiro devido à alavancagem. 83% das contas dos investidores não profissionais perdem dinheiro quando negoceiam CFDs com este prestador. Deve ter em conta se compreende como funcionam os CFDs e se pode assumir o elevado risco de perder o seu dinheiro. Por favor, clique aqui para ler o nosso Aviso de Risco na íntegra.

79% das contas dos investidores a retalho perdem dinheiro quando negoceiam CFDs com este prestador.

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Oil Remains Hot as Middle Eastern War Wages On

Petróleo mantém-se em alta com a guerra no Médio Oriente

Após a crise energética de 2022, todos esperávamos que o petróleo com preços superiores a $100 por barril fosse coisa do passado. Os dois ou três anos de preços relativamente baixos, na ordem dos $80 por barril, ajudaram a impulsionar a recuperação global após a pandemia. Contudo, com a mais recente guerra de Israel e dos EUA contra o Irão, a insegurança energética atingiu um nível mínimo histórico. A 19 de março, o petróleo Brent estava cotado a $113,61, após ter ultrapassado brevemente os $120 na semana anterior. Isto representa uma subida ligeiramente superior a 60% em menos de um mês, com valorizações percentuais semelhantes observadas em vários tipos de petróleo bruto. Além dos ataques a várias instalações energéticas nos EAU, no Qatar e na Arábia Saudita, os efeitos incluem também o encerramento do Estreito de Ormuz, por onde transita pelo menos 20% do abastecimento mundial de petróleo. Este estreito canal permanece encerrado a todos os navios ao serviço dos EUA e dos seus aliados. 

Inicialmente, pareceu que os preços arrefeceram desde o grande pico de 9 de março. Contudo, tanto o WTI como o Brent voltaram a subir gradualmente ao longo da última semana, aproximando-se da referida máxima momentânea, considerando a dificuldade em alcançar uma solução para o conflito. Embora um potencial desfecho mais célere da crise tenha sido inicialmente ponderado nos preços, é importante salientar que, as projeções económicas fundamentais a longo prazo apontam para um excedente de oferta, após o término do presente evento desastroso. Entretanto, existem outras "alavancas" para controlar os preços, como a abertura de canais alternativos de abastecimento, o aumento da produção e a remoção de sanções. Neste artigo, vamos analisar todos estes fatores e outros, com o objetivo de prever a possível trajetória dos preços a médio prazo.

Estratégia de longo prazo

Ao testemunhar estes eventos, podemos até pensar que a crise vai durar para sempre, mas raramente é esse o caso. Falando de uma matéria-prima como o petróleo, crucial para toda a atividade económica e com produtores em várias regiões geográficas, as forças normais do mercado acabarão por assegurar o equilíbrio, mais cedo ou mais tarde. Embora o Golfo seja, sem dúvida, um importante polo de produção, representa apenas cerca de 28% do abastecimento mundial, e parte dessa quota de mercado deve-se aos seus preços tipicamente mais baixos. No contexto atual, o petróleo dos EUA e da América do Sul torna-se bastante mais atrativo, sendo possível ajustar facilmente a produção para responder à procura. As projeções para o nível de produção dos EUA já apontam para máximas históricas, em torno de 13,6 milhões de barris por dia (mbd). Esse número não contempla o potencial aumento da produção de petróleo de xisto, enquanto os custos permanecerem suficientemente elevados para viabilizar essa opção.

Além disso, apesar do crescimento sólido da procura, este indicador mantém-se moderado em torno de 1,4 mbd, e provém sobretudo de economias não pertencentes à OCDE. Isto significa que produtores como os EUA, Brasil e outros são incentivados a aproveitar os preços elevados enquanto é possível, aumentando a produção. Por sua vez, esta nova injeção de matéria-prima acabará inevitavelmente por provocar uma queda nos preços, considerando que a procura já revelava dificuldade em acompanhar a oferta antes deste novo evento geopolítico de curto prazo. A incerteza permanece quanto à dimensão e duração do conflito atual, o que pode significar novas subidas a curto prazo, mas vários bancos, incluindo o JP Morgan, continuam a prever preços mais próximos dos $60/$70 por barril nos meses finais de 2026. A menos que ocorra uma escalada sem precedentes do conflito no Médio Oriente, este cenário parece muito mais provável, comparativamente a um petróleo com preços superiores a $150.

Tudo o que sobe, tem que descer

Como referido anteriormente, o próprio contexto de preços elevados tende a estimular preços mais baixos, à medida que os produtores aproveitam a oportunidade para aumentarem os seus lucros a curto prazo. No entanto, além de aumentar a produção em países produtores distantes, como os EUA e o Brasil, até a OPEP+ indicou que continuará a aumentar gradualmente a produção, apesar do risco para infraestruturas essenciais no Golfo. A versão alargada do cartel, que inclui a Arábia Saudita, a Rússia, o Iraque, os Emirados Árabes Unidos, o Kuwait, o Cazaquistão, a Argélia e Omã, acordou em aumentar a sua produção conjunta em 206.000 barris por dia em abril, citando uma perspetiva económica global estável e os níveis reduzidos de petróleo em stock. A oferta global deverá crescer em cerca de 2,4 milhões de barris por dia em 2026, caso sejam mantidos os planos atuais. Também é essencial salientar que o bloqueio afetou, em grande medida, sobretudo os aliados dos EUA na Europa e na Ásia, uma vez que os iranianos permitem a passagem de todos os restantes petroleiros, e os EUA e a América do Sul dispõem de produção local suficiente.

No cenário improvável de conflito prolongado, superior a um mês, os governos dispõem de mecanismos alternativos para controlar os preços, incluindo a libertação de mais reservas estratégicas ou suspensão de sanções sobre o petróleo venezuelano e russo, para garantir uma resposta adequada à procura até que o abastecimento proveniente do Médio Oriente regresse à normalidade. A AIE já disponibilizou um volume recorde de 400 milhões de barris das suas reservas, e Washington suspendeu sanções sobre o petróleo russo transportado por via marítima e refinado na Índia, o que explica em grande parte o recuo das recentes máximas estabelecidas nos preços. Seria possível expandir facilmente estas iniciativas, caso exigido pelas condições de mercado, reforçando a ideia de que, possivelmente, o mercado do petróleo não apresentará valores mais elevados durante os restantes meses do ano.